CAPÍTULO CINCO
A viagem de volta para casa foi agitada para Rich. Ele repassava mentalmente o que havia acontecido e sabia que precisava ter sucesso para que algo de bom surgisse daquela perda terrível. Enquanto refletia profundamente, observava as árvores desaparecerem à medida que o avião ganhava altitude. Quando não havia nada além de nuvens para ver, ele voltava a pensar em como aquele projeto seria bem-sucedido e em como a morte de seu amigo não teria sido em vão. Por fim, o sono veio, e seus devaneios continuaram enquanto ele adormecia. Sem sequer perceber que havia pegado no sono, a imagem de um homem no meio da floresta surgiu em sua mente. O homem estava de costas para Richard; portanto, tudo o que ele via era a silhueta de alguém parado de forma misteriosa, quase no limite de seu campo de visão. Ele decidiu caminhar em direção ao homem, pois sua curiosidade crescia de forma avassaladora e não podia ser ignorada. À medida que se aproximava, notou que o homem começava a se afastar, como se soubesse que estava sendo seguido. O homem jamais olhou para trás — talvez fosse por isso que a curiosidade de Richard começava a dominar seus pensamentos e ações.
Ele tentou alcançá-lo, mas em vão; antes mesmo de conseguir empregar um esforço real, percebeu que o homem havia desaparecido. Richard parou bruscamente ao perder o homem de vista e olhou ao redor, supondo que ele devesse ter se escondido atrás de uma árvore. Olhava de um lado para o outro e em todas as direções de forma mecânica, certificando-se de que nenhuma área visível passasse despercebida. Apesar de todo o esforço, não havia sinal do homem, e o local onde ele estivera parecia agora inalterado. Ainda assim, sentiu-se compelido a procurar e olhou atrás daquela árvore coberta de trepadeiras, à sua direita. "Merda", deixou escapar Richard, assustado ao sentir uma mão agarrar seus ombros, o que o fez virar-se rapidamente. Aquele homem obviamente havia se aproximado furtivamente, e Richard percebeu que talvez ele tivesse algo de místico. Olhando com mais atenção, Rich notou que o homem era Joe. Aquilo o aterrorizou profundamente, provocando um pânico absoluto que rompeu a fina camada de coragem que ele mantinha. O homem misterioso então colocou a outra mão no pescoço de Richard e começou a sacudi-lo furiosamente. Richard gritou com toda a força de seus pulmões adormecidos e abriu os olhos, apenas para perceber que sua linda esposa era, na verdade, aquele homem. Ela o sacudia levemente apenas para avisar que eles eram os únicos que restavam no avião.
"Vamos lá, Richard. Somos os únicos que sobraram. Levante-se!" Um resmungo sonolento e arrastado escapou da boca de Rich, e seu rosto logo revelou um estado de alerta total. "Já acordei! Já acordei! Devo ter cochilado", disse Richard de forma confusa, percebendo que devia ter estado sonhando.
"Ora, não me diga", soltou Susan com uma mordacidade brilhante. "Vamos, temos que ir!" Ela o puxou para cima e eles saíram do avião. Depois de pegar a pequena, chegaram ao portão de casa — e para Richard, foi na hora certa. "Olá, Sr. e Sra. Dickenson", ouviram o guarda exclamar alegremente após acionar os belos portões.
"Olá, Hayword", disse Susan gentilmente. Richard e Dainisa apenas observavam.
"Está tudo bem e seguro por aqui, senhor! Não há nada que o velho Hayword Jeffries não consiga garantir — ou até proteger, aliás." Ele falava com Richard fazendo gestos encorajadores, numa tentativa de agradá-lo. Ele continuou falando, mas suas palavras pareciam não chegar aos ouvidos de Richard, que seguiu andando até passar completamente pelo portão. Richard, na verdade, dirigiu-se direto para a cama para cair num sono profundo.
"Mamãe! O que houve com o papai?" "Ah, querida! O papai só está cansado. Fizemos uma longa viagem. Você está com fome, meu bem?"
"Não, mamãe. Eu comi pizza. Posso jogar aquele jogo?"
"Claro, vou ao seu quarto ligar tudo em um minuto." A menina correu alegremente para o quarto para pegar os equipamentos. Susan encontrou seu livro favorito, preparou uma xícara de chá e colocou as coisas onde costumava se sentar para ler. Ao passar pelo quarto da filha, deu uma espiada no marido e viu que ele estava praticamente hibernando. Ela balançou a cabeça e retomou o que estava fazendo antes.
"Mamãe, mamãe, eu quero jogar este jogo primeiro!" Susan concentrou-se em montar os equipamentos e conectar os fios às tomadas correspondentes. "Tudo bem, querida! Ligue a energia." A menina apertou o botão. "Certo, deixa eu pegar isso. Preciso configurar." Ela colocou o jogo no modo fácil e ajustou as outras configurações para garantir uma partida longa. Seu plano era manter a pequena ocupada para poder relaxar lendo seu livro e tomando seu chá. Ao se sentar, ela suspirou, sentindo um relaxamento profundo graças ao assento macio. Com uma expressão de alívio após provar o chá escaldante, Susan soltou murmúrios e gemidos de satisfação. Tomando outro gole — e engolindo-o rapidamente —, ela pegou o livro e pousou a xícara, fazendo uma careta por causa do calor da bebida. Um pensamento rápido sobre o marido lhe veio à mente. Afastando-o, ela abriu o livro lentamente na altura da fita que havia deixado entre as páginas e começou a ler.
A pequena havia brincado até cair num sono profundo......dormir, mas o jogo continuava rodando, mesmo sem ninguém operá-lo. Três horas haviam se passado e já era muito tarde. Susan continuava lendo, sem perceber que já estava na metade do livro. Ela não tinha a menor intenção de parar. Além disso, chegara a uma parte em que os acontecimentos tomavam rumos inesperados, e a ansiedade para saber o que viria a seguir a consumia. Intrigada, ela prosseguiu a leitura com afinco, enquanto a curiosidade incendiava seus pensamentos. A leitura se intensificava a cada parágrafo, até que... "Trim, trim! Trim, trim!" O toque persistia, mas ela tentava ignorá-lo. No entanto, o som tornou-se insuportavelmente estridente. "Trim, trim!" Irritada, ela deixou o livro aberto sobre a mesa e correu para atender o telefone. "Trim, trim!" Ela apressou-se, sem saber que seu esforço era inútil, pois quem ligava do outro lado não tinha a menor intenção de desligar.
"Alô", disse ela, exasperada.
"Oi, é a Susan?"
"Sim, sou eu mesma!"
"Desculpe ligar tão tarde, mas o Richard está?"
"Ah! Não! Ele está dormindo. Quem gostaria que eu dissesse que está ligando?"
"Desculpe! Aqui é a Claira Geshy. Eu estava ligando para saber se o Richard tinha tido notícias do meu marido, Joe."
"Ah, oi, Sra. Geshy. Não reconheci sua voz. Não! Acho que ele disse que o Joe ligou avisando que o avião atrasaria, mas ele não apareceu."
"Que estranho! Susan, por acaso você sabe em qual voo ele deveria vir?"
"Em um dos jatos particulares do Richard."
"Meu Deus! Bem, obrigada. Você foi de grande ajuda", disse Claira, triste. As duas encerraram a ligação, e Susan perdeu todo o interesse no livro, decidindo apagar as luzes para ir dormir. No escuro, Claira permaneceu sentada por vários minutos. Algo parecia errado. Joe era muitas coisas. Atrasado não era uma delas. Pela primeira vez, um pensamento lhe ocorreu — um que ela tentou rejeitar imediatamente. E se Joe nunca tivesse chegado em casa? A primeira tarefa foi colocar sua Boo na cama e desligar as luzes e o videogame. Ao chegar ao seu próprio quarto, ela apagou totalmente a luz e pulou na cama, observando o marido como uma detetive particular. Perguntou-se por que ele estava agindo de forma tão estranha — e a ligação de Claira parecera ainda mais estranha —, mas afastou esses pensamentos e foi dormir. Na manhã seguinte, acordou de lado, ainda de olhos fechados, e virou-se até ficar de barriga para cima. Virou-se novamente, mas desta vez de bruços, com as pernas esticadas como se estivesse fazendo um "anjo na neve" sobre os lençóis brancos e sedosos. "Querido", disse ela, com a voz abafada pela posição de bruços. "Querido...", repetiu, virando-se rapidamente e erguendo o tronco, apoiando-se na posição sentada com as mãos espalmadas atrás de si, como dois suportes laterais de bicicleta. Abriu os olhos apenas para confirmar o que já sabia: ele havia ido embora. Agora ela sabia que aquele projeto era mais importante do que ela mesma. Richard havia entrado em seu escritório no exato momento em que sua sócia limpava do rosto o sono da manhã. A primeira coisa que passou pela cabeça de Richard foi pegar o telefone e contatar a parte responsável por montar uma equipe de topografia. Uma intensidade febril tomou conta dele enquanto se aproximava do aparelho. Ele sabia que aquela equipe precisava ser especial; afinal, a situação exigia excelência. Era necessário encontrar um bom local para o acampamento, bem como um ponto de atracação para os barcos. Ele decidiu pegar um atalho, pois só precisava de um engenheiro para aprovar o local. Isso permitiria reunir navios e equipes de construção no local que ele idealizara, sem precisar investir seu próprio capital. Ele precisava de dois engenheiros civis para acompanhar a equipe de topografia, mas eles não estariam disponíveis já no dia seguinte. Isso exigiria duas viagens separadas, pois não podia haver atrasos.
"Preciso de três prestadores de serviços de topografia treinados em navegação, além de alguns pilotos de helicóptero e topógrafos de campo." As exigências continuavam a sair rapidamente da boca de Richard. "E não importa quais sejam as credenciais. Preciso de gente qualificada."
Uma resposta apressada e nervosa veio do outro lado da linha: "Sem problemas, Sr. Dickenson. Temos a equipe qualificada de que o senhor precisa. Vou enviar as especificações do contrato por fax."
Eles encerraram a ligação, e um sorriso de satisfação se abriu no rosto de Richard. Ele apertou uma tecla de discagem rápida no telefone e, instantes depois, disparou: "John! Quero vê-lo no meu escritório." Richard recostou-se na cadeira para relaxar e tomou um gole de um café colombiano da melhor qualidade.
John entrou na sala, perguntando com hesitação: "Sim, senhor?"
"Preciso que você garanta que a equipe de topografia embarque no avião e chegue à América del Sul em segurança. Quero também que mantenha contato com eles e me informe imediatamente sobre qualquer coisa!"
"Sim, senhor! Sim, senhor!"
"Vou para casa. Tenho deixado minha esposa de lado, mas não deixe de me ligar se acontecer alguma coisa."
"Sim, senhor!"
"Você pode dispensar os outros pelo resto do dia, mas precisa estar aqui para garantir que a primeira fase seja concluída." Richard afastou-se do semblante insatisfeito de John e saiu do escritório com um ar imponente. Pouco depois, seu carro disparou, aparentemente sem qualquer respeito pelas leis de trânsito. Ele ainda estava inquieto, pois o projeto dependia da aprovação do engenheiro, mas tratava-se apenas de confirmar a integridade estrutural. Foi por isso que ele havia adiado a chegada de outros engenheiros ao local: precisava de seu engenheiro de confiança para a tarefa. Seu plano era enviar a equipe de topografia apenas para levantar as dimensões do terreno e demarcá-lo como um local específico. Mais tarde, ele apresentaria esse local aos engenheiros como um ponto no mapa, sem mencionar as medidas exatas, na esperança de que uma inspeção da área geral bastasse. Sua mente estava voltada apenas para atalhos e para a ideia de que nada poderia atrasar aquele processo.